Painel apresenta incentivos e impactos das Políticas Públicas em TIC

24 de agosto de 2015 - 19:30

O primeiro painel do Seminário +TICeará destacou os investimentos em infraestrutura e as necessidades de mão de obra para o setor

Os incentivos e os impactos das políticas públicas em Tecnologia da Informação e Comunicação foram debatidos durante o Seminário +TICeará: Conhecimento, Oportunidades e Desenvolvimento. O assunto fez parte do primeiro painel realizado na manhã desta segunda-feira, 24/08, na Assembleia Legislativa do Ceará.

O painel, moderado pelo secretário da Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Inácio Arruda, contou com a participação do diretor do CTI Renato Archer, Victor Mammanna; do diretor da Angola Cables, Antonio Nunes; do presidente da ETICE, Adalberto de Paula Pessoa; do presidente da Fundação de Ciência, Tecnologia e Inovação de Fortaleza – Citinova, Tarcísio Pequeno; do presidente da Câmara Setorial de TIC da Adece, Márcio Braga.

Um dos aspectos abordados no Painel foi a infraestrutura do Estado para o desenvolvimento da TI. O diretor da Angola Cables, Antonio Nunes, empresa líder em circuitos de voz e dados por cabos submarinos de fibra óptica, cuja chegada ao Ceará foi recém anunciada, disse que a “escolha de Fortaleza como uma das bases da empresa deve-se não só aos fatores geográficos privilegiados, mas pelo potencial humano para a criação de sistemas de informação”.

A empresa está investindo R$ 92 milhões para a construção da infraestrutura técnica de telecomunicações que ligará Fortaleza e Angola criando um pólo intercontinental de transmissão de ligações submarinas, com 6165 km de fibras óticas.

Fortaleza também receberá um data center através de parceria firmada em julho entre a empresa e a Prefeitura Municipal de Fortaleza que cedeu terreno na Praia do Futuro para construção do empreendimento.

Autonomia e segurança nas ligações, abertura de nova via de exportação dos conteúdos digitais produzidos no Ceará para os mercados Africano, Asiático e Europeu e tornar Fortaleza uma das alternativas na América do Sul para o armazenamento de conteúdos digitais, incluindo a capital cearense em um mercado em franco crescimento internacional, são alguns dos benefícios apontados por Antonio Nunes.

O novo pólo tecnológico, que será o quinto do Nordeste, e também terá impactos na melhoria da produtividade e da competitividade, na geração de empregos, na criação de novas políticas de desenvolvimento e atração de novas empresas.

Do ponto de vista estrutural, o Cinturão Digital do Ceará também deixa o Ceará em uma posição privilegiada com seus 3087 km de cabos ópticos, possibilitando o acesso a Internet de qualidade na capital e interior.

O presidente da Etice, Adalberto Pessoa, lembrou ainda que hoje existe uma diversidade maior de serviços e uma necessidade cada vez maior de interação entre o governo e a população. “Hoje, desde a hora que acordamos estamos ligados à TI. O despertador é o próprio celular e já saímos para o dia conectados a vários aplicativos. Estamos mergulhados em um mundo de bits e bytes. Nesse cenário, a TI com certeza é um instrumento de governança e cidadania e

desenvolvimento de soluções como o e-Gov, Portal da Transparência, pregões eletrônicos, sistemas de certificação digital, votação eletrônica, dentre outros”.

Do ponto de vista da qualificação profissional, o presidente da Citinova, Tarcisio Pequeno, afirmou que mesmo com todo o potencial do Ceará produzimos abaixo da nossa capacidade, embora haja grande interlocução com as grandes empresas internacionais. “Muitas dessas empresas vem porque temos a possibilidade de com a competência do nosso pessoal contribuir com o sucesso delas”, avalia.

Encerrando o painel, o presidente da CSTIC, Márcio Braga lembrou que além das quase 1000 empresas de TI, há uma rede complexa que se movimenta diariamente nas mais diversas instituições e organizações. “A TI não para de evoluir e temos muitos nós a desatar. Sempre podemos avançar e melhorar. Queríamos ter mais demandas para as empresas – e com mais trabalhos, mais empregos; questões tributárias a serem resolvidas, como o ISS cobrado sobre software e a substituição tributária e a evolução de leis”, relata.

Para ele, também é preciso trazer mais gente para a Computação. “Falta mão de obra, apesar de termos muitas vagas, salários altos, faltam talentos. Porque? Há alguma coisa errada nisso. Precisamos melhorar a relação universidade-empresa, ter empresas mais inovadoras. Como melhorar esse ecossistema – governo, mercado, profissionais, conhecimento, cidadão?”, questiona.