Artigo: Energia e Desenvolvimento

16 de março de 2015 - 23:20

No princípio, o homem primitivo contava apenas com a energia dos alimentos, mas veio o fogo e houve grande avanço. Depois, progrediu com o uso da energia animal e da força da água e do vento. Até que o carvão mineral (fonte de energia e insumo para a fabricação do ferro) marcou, no final do século XVIII, a 1ª Revolução Industrial.

Na segunda metade do século XIX, com a 2ª Revolução Industrial, o petróleo (combustível e base da petroquímica) passou a pesar na matriz energética mundial, juntamente com a eletricidade, consolidando-se como a principal fonte no último pós-guerra.

Como insumo estratégico, desde o início da sua exploração até os dias atuais, o petróleo, especialmente no Oriente Médio, nunca deixou de gerar conflitos geopolíticos. Hoje, representa 33% do consumo mundial de energia, seguido do carvão mineral (30%), ainda bem representativo por significar 67,5% da matriz chinesa. Os maiores demandadores (60%) são a indústria e os transportes.

Nos primeiros passos do desenvolvimento, quando da formação da infraestrutura e da implantação da indústria de base, o consumo de energia é relativamente maior que no estágio mais adiantado, quando predominam os serviços e as indústrias de alta tecnologia, de elevada eficiência energética.

Outro aspecto interessante: países do mesmo nível de desenvolvimento não possuem necessariamente consumo per capita de energia equivalente. O american way of life norte-americano comparado com o estado do bem-estar social europeu chega a ser perdulário.

Situemos agora o Brasil. Pois bem: o País, para industrializar-se, enfrentou sérios obstáculos geopolíticos no campo energético. Em sua carta-testamento, Getúlio Vargas denunciou: “Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobras foi obstaculada até o desespero”.

Mas o Brasil venceu esses obstáculos. Hoje, com um PIB de US$ 2,1 trilhões e invejável mercado interno (120 milhões de pessoas na classe média e 30 milhões nas classes A e B) é a 7ª economia do mundo. E se chegou até aqui tal se deve em boa margem à política energética, que sempre teve na Petrobras e na Eletrobras os seus grandes esteios.

Em 2013, a indústria (33,9%) e os transportes (32%) responderam por 2/3 do consumo de energia do País. As principais fontes foram óleo diesel (18,8%), eletricidade (17,1%, 75% dos quais de hidroeletricidade), bagaço de cana (11,3%), gasolina (9,4%), gás natural (7,1%), lenha (6,2%) e etanol (4,8%). Em futuro breve, as energias eólica e solar também merecerão destaque.

Atropelos no tocante à energia têm trazido prejuízos ao ritmo de crescimento da economia. É o caso de se segurar a inflação com a contenção do preço da gasolina e a redução da tarifa de energia elétrica. Ou da corrupção na Petrobras. Mas o país tem maturidade política e institucional para adotar as medidas corretas, a fim de retomar, e com mais força ainda, o seu processo de desenvolvimento.

Cláudio Ferreira Lima
Economista e Secretário Adjunto de Desenvolvimento Econômico do Ceará